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INSTITUTO PEDAGÓGICO

Alexandra Caracol

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Alexandra Caracol

A Luz do Farol de Alexandra Caracol

Este texto mostra como todos somos especiais apesar das diferenças. Fala-nos de generosidade, partilha, conhecimento, cura interior e exterior, entrega, sentido de missão, etc. As diferenças podem ser um enorme tesouro na construção de realidades maravilhosas. Conseguir unir talentos de pessoas diferentes pode contribuir para a criação de projectos poderosos.
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No meio do mar, implantado naquela ilha, lá estava o Farol erguido, servindo de guia para os marinheiros que há muito navegavam perdidos, sem nada mais encontrar a não ser mar e sem nada mais ouvir do que as ondas do mar batendo persistentes nos cascos dos navios.

 

Na Ilha do Farol vive o tio Rafa, que há muito ‘isolado’ persiste em manter a luz acesa para que ninguém se perca no meio das águas - tantas vezes tempestuosas e outras tantas de aparência calma, mas enganosas.

 

Dizem as vozes que ele é ignorante – que não sabe nada porque está preso na Ilha do Farol há mais de 40 anos...

 

De repente ouviu-se um barulho, e um corpo claro e de pequenas proporções caiu junto à praia.

 

O tio correu à procura do que seria e encontrou uma gaivota caída na areia.

 

A certa altura ouviu uma voz que lhe dizia: - Obrigada por me salvares! – e logo de seguida a gaivota olhou-o fixamente.

 

Será que tinha ouvido a gaivota? – pensou o tio Rafa.

 

Gaivota: Não me percebes? Sou eu a gaivota! Estás a ouvir-me?

 

Foi aí que se percebeu que tinha a capacidade de a ouvir...

 

Tio Rafa: Afinal é verdade; estás a falar. Porque tens as asas cortadas Gaivota?

 

Gaivota: Foram os piratas do Barco da Repressão.

 

Tio Rafa: Pensei que já não existissem. Pensei que o Barco da Armada do Príncipe da Libertação já os tivesse destruído.

 

Gaivota: Sim abalroaram-no, mas o capitão sobreviveu e juntou uma nova tripulação e percorre agora os mares de lés a lés, procurando a quem possa reprimir.

 

Tio Rafa: Antes de te terem cortado as asas deves ter viajado muito; deves ter conhecido terras longínquas, muitas gentes...

 

Gaivota: Sim! Vi portos em que os pescadores atracavam felizes e eram recebidos pelas suas famílias. Vi barcos que chegavam carregando a morte dos seus. Vi guerras que devastaram a terra, tempestades, fome, vi tantas coisas... que fizeram de mim o que sou hoje - um ser errante que procura perceber o sentido da vida...

 

Tio Rafa: Se tivesse asas também podia voar como tu, mas estou aqui há mais de 40 anos a cuidar do Farol, para que não se apague.

 

Gaivota: Dás tanta importância a uma luz no meio do mar... e por causa disso perdes a vida, a tua liberdade?...

 

Tio Rafa: Não estou preso, só não tenho asas para voar... Estás a ver a linha do horizonte? Fecha os teus olhos e vem comigo até lá!

 

Gaivota: És doido? Mesmo quando ainda não me tinham cortado as asas não me aventuraria a ir até lá com a tempestade que se aproxima.

 

Tio Rafa: Pois... não tenho asas, mas não estou preso! Vou lá com a luz do ‘meu’ Farol, para perscrutar se está lá algum barco perdido a precisar de socorro.

 

O tio Rafa levou-a para casa e cuidou dela para que se fortalecesse.

 

Gaivota: Enquanto as minhas asas não crescem podes ensinar-me a ser livre sem asas?

 

Tio Rafa: Claro! “Querer é poder!” Começa por ir acender o Farol, pois está a ficar muito escuro para aqueles barcos que estão longe...

 

Gaivota: E agora, que faço mais para ser livre como tu?

 

Tio Rafa: Agora esperas que a (tua) luz guie aqueles que andam perdidos nas suas próprias prisões interiores...

 

Os dias passavam rapidamente, e todos os dias o tio Rafa falava no Farol. Dizia-lhe que aquela luz - se fosse bem dirigida - salvaria vidas... e a Gaivota começou a aprender, e a perceber que devia juntar todas as experiências por que tinha passado, e trazê-las para aquela ilha para que fossem iluminadas... e tudo se ia transformando em luz...

 

Tio Rafa: As tuas asas já estão grandes! Agora já podes partir quando quiseres e voar para bem longe... Vai...

 

Gaivota: Não quero partir! Quero ajudar-te a manter o Farol sempre aceso, para que a sua luz fique mais forte e possa guiar aqueles que quase se perdem...

 

Tio Rafa: Deus deu-te essas asas para voar de uma maneira diferente da minha... Tenho que estar aqui... Não tenho asas como tu...

 

Gaivota: É verdade, Deus deu-me estas asas, mas não sei voar com elas tão longe como tu sabes voar com a tua luz... Porque é que quando partir não sobes ao meu dorso e voamos os dois juntos?...

 

Tio Rafa: Sim, quando fores leva-me contigo, mas não podemos demorar; temos que voltar sempre para acender a luz do Farol que guia os perdidos!

 

Gaivota: Boa! Assim podemos estar sempre juntos; voas nas (minhas) asas, e eu voo com a (tua) luz!

 

Alexandra Caracol 
(Escrito no ano de 2006 e integrado em várias edições)

Foto de capa tirada de: http://pensopositivo.com.br/seja-um-farol-de-luz/

 

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